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Notícias


23/03/2008

É Tudo Verdade

É Tudo Verdade

É  Tudo Verdade anuncia programação completa. Filmes dirigidos por  Simon Brook,  os 10 documentários que mudaram o Mundo e biografias de João Saldanha, Simonal e Waldick Soriano estão entre as atrações a serem exibidas no 13º Festival Internacional de Documentários, que acontece de 26 de março a 6 de abril em São Paulo, de 27 de março a 06 de abril no Rio de Janeiro, de 14 a 20 de abril em Brasília Anexo segue  release com toda programação e  todos os filmes do festival.

Temos DVDs e Betas com trechos de todos os filmes. Tbm temos disponibilidade para agendar entrevistas com os diretores dos filmes e do Festival.

É TUDO VERDADE

FESTIVAL DESTACA OS DOCUMENTÁRIOS QUE MUDARAM O MUNDO E PROMOVE RETROSPECTIVA DO EXPERIMENTAL BRASILEIRO  

*** evento acontece em São Paulo (26-03 – 6.04), Rio de Janeiro (27.03 – 6.04) e Brasília (14-20.04), com extensões em Recife, Bauru (SP) e Caxias do Sul (RS) 

*** festival exibe 137 documentários 

*** na seleção brasileira estão 18 títulos inéditos 

*** entrada gratuita em todos os cinemas 
 
 

      Com retrospectivas dedicadas ao documentário experimental brasileiro e a filmes “que mudaram o mundo”, o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários chega à sua décima terceira edição apresentando 137 títulos, distribuídos nas competições brasileira e internacional, e nas seções Vidas Brasileiras, O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano, Horizonte, Projeções Especiais, Homenagens e “Round Midnight”. A programação completa-se com a 8ª Conferência Internacional do Documentário, que este ano tem por tema "Documentário Experimental”. 

     Estão presentes 18 documentários brasileiros inéditos, sendo 17 deles lançamentos mundiais, fato que para o fundador e diretor do festival, o crítico Amir Labaki, “sinaliza inequivocamente a vitalidade da produção nacional hoje". Segundo ele, “poucas cinematografias não-ficcionais no mundo conseguiram emplacar uma safra assim num mesmo festival". 

     Fundado e dirigido pelo crítico Amir Labaki, o É Tudo Verdade – 13º Festival Internacional de Documentários, acontece de 26 de março a 6 de abril em São Paulo, de 27 de março a 6 de abril no Rio de Janeiro e de 14 a 20 de abril em Brasília, além de promover extensões em Recife, Bauru (SP) e Caxias do Sul (RS).  

     Apresentado pelo Petrobras, o festival conta com patrocínio da CPFL Energia, Centro Cultural Banco do Brasil, Oi Futuro, Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, SESC-SP, Riofilme, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e Cinemark, com apoio do Ministério da Cultura, através da Lei 8.313/91 (Lei Rouanet). 

*** filmes de abertura *** 
 

“Stranded”, do uruguaio Gonzalo Arijón, é a atração inaugural em São Paulo do É Tudo Verdade 2008, sendo exibido no dia 26 de março, no Cinesesc. Grande vencedor do Festival de Amsterdã-2007 (o principal evento mundial dedicado ao gênero), a obra reconstitui um trágico desastre aéreo de outubro de 1972 nos Andes, quando um avião das Forças Aéreas Uruguaias, levando um time nacional de rugby para amistoso no Chile, caiu entre os picos gelados próximos à Argentina. Dos 45 passageiros, 29 sobreviveram à queda. Após uma agonia de 72 dias, foram resgatados dezesseis esquálidos sobreviventes, graças a uma milagrosa jornada pelo gelo de dois de seus membros. O consumo “in extremis” de carne humana salvou-lhes a vida e estigmatizou os resgatados frente a mídia sensacionalista da época. Um dos fotógrafos do filme é César Charlone, responsável pelas imagens de “Cidade de Deus” e co-diretor de “O Banheiro do Papa”.  

     Já no Rio de Janeiro o documentário norte-americano “Sem Fim à Vista”, de Charles Ferguson, é o filme de abertura. Indicado ao Oscar da categoria este ano, o documentário aborda a tragédia de erros da intervenção de Bush no Iraque, através de uma narrativa cronológica, detalhada e sóbria. A sessão de abertura acontece para convidados no dia 27 de março no Unibanco Arteplex. 
 
 

      *** Competição Internacional *** 

      Um total de 15 títulos foram selecionados para a Competição Internacional de Longa ou Média-Metragem e nove obras para a Competição Internacional de Curta-Metragem, com prêmios no valor de R$ 15 mil e de R$ 6 mil, respectivamente. São 19 os países representados nas duas competições. Oito dos 15 longas e médias-metragens são dirigidos por mulheres, fato inédito na história do festival.  

      Conhecida por seus trabalhos sobre a vida e a perspectivas de mulheres em diversas partes do mundo, a consagrada realizadora inglesa Kim Longinotto participa do É Tudo Verdade pela sexta vez com “Me Abrace Forte e Me Deixe Ir”. Vencedor do BritDoc de melhor documentários britânico de 2007, o filme aborda técnicas empregadas numa escola que recebe alunos expulsos de outros estabelecimentos de ensino por conta de seu comportamento violento. 

      Em “Sete Instantes” (de Diana Cardozo, México) sete mulheres que se tornaram guerrilheiras no Uruguai, integrantes das fileiras dos Tupamaros, nos anos 1960 e 1970, reavaliam suas experiências. A norte-americana Cindy Kleine realiza uma dolorida radiografia do casamento de 59 anos de seus pais no longa “Phyllis e Harold”, alcançando um raro mergulho numa alma feminina. Uma co-produção Holanda/Rússia dirigida por Masha Novikova, “Anna, Sete Anos no Front” revê personagens e locais envolvidos no assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, a mais dura crítica da política adotada pelo governo russo na Chechênia e responsável por denúncias sobre as dificuldades sofridas pela população civil e os abusos durante a guerra naquele país.  

      Autora de obra considerada como brilhante e pessoal (entre outros, dirigiu “Parallel Lines”, 2004, e “Always a Bridesmaid”, 2000), Nina Davenport coloca em evidência uma discussão sobre a ética e a correção política em “Operação Cineasta” (EUA). No longa – que foi selecionado para os festivais de Roterdã, Toronto e Sidney – um estudante de cinema de Bagdá é contratado para trabalhar em uma produção na República Tcheca e  gradativamente vai deixar claro que não contou toda a verdade a seu respeito.  

      Premiado no festival Entre Vues, “Ao Lado” (de Stéphane Mercurio, França) acompanha as longas esperas dos visitantes, mulheres em sua maior parte, de uma prisão masculina francesa. A alemã Dana Ranga registra em “Cosmonauta Polyakov” depoimentos no quais o astronauta que detém o recorde de permanência no espaço (um ano e dois meses ininterruptos) fala sobre sua convivência com a KGB, a polícia política da era soviética, e seu isolamento após o retorno. Já Alina Marazzi recupera a memória coletiva das mudanças do comportamento feminino na Itália dos anos 1960 e 1970, explorando os efeitos dessas transformações na vida das mulheres italianas na atualidade, na obra “Também Queremos as Rosas”, uma co-produção Itália/Suíça que completa a lista de títulos dirigidos por mulheres da Competição Internacional de Longa e Média-Metragem deste ano.  

      O australiano Scott Hicks começou em julho de 2005 o documentário “Glass: Retrato em 12 Partes” visando celebrar o 70º aniversário do compositor Philip Glass, em 2007. Pelos 18 meses seguintes o realizador teve pleno acesso à rotina do músico e compôs um notável mosaico sobre um dos artistas mais famosos e controversos da atualidade. Woody Allen, Martin Scorsese e Godfrey Reggio são alguns dos cineastas que testemunham sobre a parceria de Glass nas trilhas sonoras de seus filmes. Hicks atualmente trabalha em uma co-produção anglo-australiana com participação do ator Clive Owen intitulada “The Boys are Back in Town”. 

      Filmado em 1960, “Description d’um Combat”, de Chris Marker, focalizava imagens e personagens de Israel num momento em que a jovem nação apenas começava a construir o futuro que se abria à sua frente. Quarenta e sete anos depois, o diretor israelense Dan Geva, nascido em 1964, retoma aquele filme em “Relato de Memória (13 Lembranças do Documentário ‘Descrição de um Combate’ de Chris Marker)”, refazendo seu trajeto e explorando novos cenários que o cineasta francês nunca teria imaginado. Cria-se, assim, um diálogo entre os dois filmes, analisando-se as expectativas frustradas à luz do estado de guerra permanente e da grande inquietação política do presente no Oriente Médio. 

      O ativo documentarista inglês Brian Hill volta sua câmara em “Os Não Mortos” para as cicatrizes psicológicas provocadas por diversas guerras (no Iraque, Malásia e Bósnia) que afetam da mesma forma a vida de três ex-soldados e deixam como legado síndromes pós-traumáticas e tentativas de suicídio. 

      Duas produções iluminam aspectos da China de ontem e de hoje. Exibido na última edição do Festival de Cannes, “Fengming - Memórias de uma Chinesa” (de Wang Bing, que participa também da mostra Horizontes com “Além dos Trilhos”,) propõe um balanço da vida de uma chinesa de 60 anos, que recorda como a Revolução de 1949 transformou-se em um pesadelo que durou 30 anos. Em “Subindo o Rio Amarelo” (de Yung Chang), filme selecionado para o Sundance 2008 e considerado melhor documentário canadense no Festival de Vancouver, um barco levando a bordo inúmeros turistas ocidentais desloca-se no Rio Amarelo, ao longo da rota de cidades, vilas e fazendas que serão inundadas devido à construção da gigantesca represa das Três Gargantas - obra que implicou no deslocamento de nada menos de quatro milhões de pessoas.

       
 Vencedor do prêmio especial do júri no festival Hot Docs (Canadá), “Depois do Rei”, de Michael Skolnik, trata da última monarquia da África, o reino da Suazilândia, onde a opulência da vida de seu rei contrasta com alarmantes índices de pobreza, com mais da metade da população de pouco mais de um milhão de habitantes vivendo com uma renda inferior a um dólar por dia e com 42 % de seus habitantes sendo HIV positivos, o maior índice mundial de contaminação.
 

      O argentino “Porta 12”, de Pablo Tesoriere, revisita o trágico conflito à saída de um jogo de futebol entre os times rivais River Plate e o Boca Juniors em 1968, quando um nunca esclarecido tumulto culminou com a morte de 71 torcedores e mais de 100 feridos. Quarenta anos depois, ainda se discutem as causas da tragédia e lança-se dúvidas sobre falhas e até mesmo uma hipótese política – algumas testemunhas oculares garantem que torcedores do Boca gritaram slogans peronistas, em plena ditadura militar.


            
Na Competição Internacional de Curtas-Metragens estão nove produções, com destaque para “Salim Baba”, uma co-produção EUA/Índia dirigido por Tim Sternberg que focaliza um senhor indiano apaixonado pelo cinema e é finalista na disputa do Oscar deste ano. 

      Vencedor da competição nacional do Festival Cracóvia em 2007, o polonês “52%” (de Rafal Skalski) acompanha a luta de uma jovem para se tornar bailarina. Premiado com o troféu Pomba de Ouro no Festival de Leipzig 2007, “Apenas um Odor” (do libanês Maher Abi Samra) é uma viagem ao meio da guerra do Líbano, onde o cheiro da morte envolve tudo ao redor. A linguagem inovadora e, ao mesmo tempo, comunicativa do cineasta alemão Jan Peters rendeu ao curta “Como me Tornei um Guia de Turismo” convites para dezenas de festivais e premiações por parte de júris oficiais (como no European Media Art Festival), da crítica (em Bremen) e do público (em Hamburgo, Weisbaden e Bochum). 

      Já o norte-americano Jay Rosenblatt, que mereceu um programa especial no É Tudo Verdade 2007, acompanha em “Cineasta Iniciante” as primeiras filmagens feitas por sua filha durante um ano cheio de desafios. Igualmente dos Estados Unidos - e inédito no circuito internacional de documentários -, o curta “O Lugar”, de Alexandre O. Philippe, focaliza os estranho acontecimentos ocorridos no local do assassinato do Presidente Kennedy. 

      Mulheres realizadores também marcam presença na competição de curtas. Em “& etc.” a cineasta Claudia Clemente aborda uma pequena editora voltada a autores desconhecidos que tornou-se uma referência em Portugal. A estreante espanhola Luciana Julião oferece a visão de um mundo totalmente vigiado e das implicações desse controle na vida dos cidadãos em “OP.1207-X”. E uma aldeia caucasiana que definha e hoje conta com apenas três casas é o tema de “Urzdon: Território da Solidão”, dirigido pela russa Maria Kozlova. 
 

      *** Competição Brasileira *** 

     Sete longas e médias-metragens brasileiros inéditos e 11 curtas-metragens foram selecionados para a competição brasileira. O melhor longa/média recebe o CPFL Energia / É Tudo Verdade “Janela para o Contemporâneo”, no valor de R$ 100 mil, o maior prêmio atual em festivais brasileiros. Já no formato curta estão previstos R$ 6 mil ao melhor trabalho, segundo o júri oficial, além de premiações atribuídas pelo Canal Brasil (no valor de R$ 10 mil) e pelo laboratório Megacolor (serviços de revelação de negativo e de telecinagem off line). 

     Dentre os documentários em concurso, três retratam personalidades polêmicas que fazem parte da recente história do país. Em “João”, de André Siqueira e Beto Macedo, a incursão biográfica destaca este comentarista esportivo, jornalista, militante comunista e técnico da seleção brasileira, demitido às vésperas da Copa de 1970.  

     O diretor Carlos Nader, que já teve seus filmes premiados e exibidos nos principais canais de TV do planeta, traz em “Pan-Cinema Permanente”, um olhar singular sobre o poeta Waly Salomão, que acreditava que realidade é ficção, vida é teatro e tudo é cinema. “O Fim da Viagem”, outro trabalho de Nader, está na Retrospectiva do Documentário Experimental Brasileiro.   

     Detalhes inéditos a ascensão e queda do mais popular cantor negro brasileiro dos anos 1960/70 são revelados em “Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei”, de Cláudio Manoel, Micael Langer, Calvito Leal. 

     Os questionamentos contemporâneos são focalizados em três filmes selecionados para a Competição Brasileira de longas e médias-metragens. “O Tempo e o Lugar”, de Eduardo Escorel, conta a história de Genivaldo, agricultor familiar da região semi-árida de Alagoas, que se tornou dirigente do MST e militante do PT.  

     Já “O Aborto dos Outros”, de Carla Gallo, mostra a discussão sobre o aborto por meio da investigação dos casos permitidos pela lei brasileira, colocando a maternidade em situação limite.   

     Por sua vez, o processo de migração de duas comunidades que foram alagadas pela construção da Usina Hidrelétrica de Irapé, no Vale do Jequitinhonha/MG, é o tema de “Sumidouro”, do mineiro Cris Azzi. Sua temática dialoga com a do filme “A Construção de Uma Cidade”, do argentino Nestor Frenkel, integrante do Foco Latino-Americano. 

     “Dia dos Pais”, de Julia Murat e Leonardo Bittencourt, faz uma viagem pelo cotidiano de cinco cidades da antiga região do café. A busca por conhecer o Vale do Paraíba se mistura com a busca pela identidade da família da diretora. O filme foi também selecionado para a mostra competitiva internacional do Cinema du Réel de 2008, um dos principais eventos europeus dedicados ao documentário. 

      Na competição de curtas-metragens estão “Beijo na Boca Maldita” (Yanko del Pino, PR), sobre uma figura muito popular e controversa na cidade de Curitiba dos anos 1970; “Clarita”, de Thereza Jessouroun, com reflexões e questionamentos sobre o sentido da vida e a convivência com a morte, a partir do depoimento em primeira pessoa da própria cineasta sobre o embate de sua mãe com a Doença de Alzheimer; e o inédito “Dossiê Rê Bordosa”, no qual o realizador Cesar Cabral investiga quais os reais motivos que levaram o cartunista Angeli a matar Rê Bordosa, sua mais famosa criação.  

     Também inédito, “Ivy Katu - Terra Sagrada”, de Eduardo Duwe, registra como uma tribo indígena, confinada numa reserva diminuta, decide, em pleno século 21, lutar por seu direito à terra. Paschoal Samora, realizador paulista premiado em edições anteriores do É Tudo Verdade, imprime tratamento poético a velhos pescadores que recorrem à memória afetiva para contar suas histórias de aventura e de amor em “Mar de Dentro”, outro título inédito.  

Um rapaz que desde os nove anos de idade é louco por ônibus é personagem de “O Menino e o Bumba”, de Patrícia Cornils, enquanto que um casal em viagem protagoniza “Ocidente”, produção pernambucana dirigida por Leonardo Sette. Já “Remo Usai - Um Músico Para o Cinema” (de Bernardo Uzeda) resgata a treajetório do mais produtivo compositor de trilhas para o cinema brasileiro. 

     Em “Solidão Pública”, o pernambucano Daniel Aragão promove uma reflexão sobre a imagem do rosto humano num processo de observação coletiva de nós mesmos, sozinhos em cena, sem nenhuma ação previamente planejada. A impressionante história de um homem obstinado a planejar e controlar sua morte é acompanhada pelas câmeras de Debora Diniz no curta brasiliense “Solitário Anônimo”. Finalmente, “Tarabatara” (de Julia Zakia) é um chamado ao cotidiano e aos encantos de uma família cigana do sertão de Alagoas.  
 
 
 
 
 
 

*** Mostra Especial: Vidas Brasileiras ***

     O É Tudo Verdade 2008 abre pela primeira vez uma mostra especial sob o título Vidas Brasileiras. Estão retratados nos seis títulos selecionados personalidades como o escritor Antonio Callado, o ator Paulo Gracindo, s cineasta Joaquim Pedro de Andrade e os músicos  Caetano Veloso, Waldick Soriano e Mário Rocha. "O conjunto de retratos nacionais é tão forte que, para não abrirmos  mão de tantos títulos que adoramos, decidimos criar uma seção específica, para além das três biografias selecionadas para a mostra competitiva", explica o diretor do festival Amir Labaki.  

     “Coração Vagabundo”, de Fernando Andrade, acompanha uma viagem intimista com Caetano Veloso pelo mundo afora, comentada por participações de David Byrne, Michelangelo Antonioni e Pedro Almodóvar, entre outros.  

     José Joffily aborda em “A Paixão segundo Callado” um dos principais escritores e jornalistas brasileiros da segunda metade do século 20, Antonio Callado (1917-1997), autor de clássicos como “Quarup”, contando com depoimentos de Ana Arruda Callado, Carlos Heitor Cony, Fernanda Montenegro, Ferreira Gullar, Moacyr Werneck de Castro e Villas Boas Corrêa.  

     “Paulo Gracindo - O Bem Amado”, realizado pelo filho do ator, Gracindo Jr., celebra a vida e a obra de Paulo Gracindo (1911-1995), ator, apresentador, locutor, compositor, redator, humorista, produtor, poeta. Uma viagem pela vida cultural brasileira, da era do rádio ao auge da televisão, do teatro moderno ao Cinema Novo.  

     “Procura-se”, de Rica Sato, resgata um nome esquecido da música brasileira de vanguarda do final dos anos 1960 e começo dos 1970, Mário Rocha. Entre os entrevistados estão a cantora Wanderléa e o crítico Carlos Calado. 

     Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988), diretor de “Macunaíma, entre outras obras importantes do Cinema Novo brasileiro, ganha sua cine-biografia em “Histórias Cruzadas”, trabalho inédito realizado por sua filha, a cineasta Alice de Andrade. 

     Estréia na direção da premiada atriz Patrícia Pillar “Waldick Sempre no Meu Coração” retrata um dos ícones da música romântica brasileira, sob a ótica das mulheres que o amam e amaram. 
 
 

*** O Estado das Coisas *** 

     Voltada prioritariamente para obras de cunho social, histórico e jornalístico, a seção informativa O Estado das Coisas tem entre seus destaques a pré-estréia mundial da produção israelense “Bruna” (de Nili Tal), que acompanha o caso da brasileira Bruna, que em 1986, ainda bebê, foi adotada por um casal israelense e, dois anos depois, localizada por seus pais biológicos e por eles reclamada na justiça sob a alegação de ter sido seqüestrada e vendida aos pais adotivos. 

     Duas produções canadenses repercutem os traumáticos eventos de 11 de setembro de 2001. Em “American Psyche”, o holandês radicado no Canadá Paul van den Boom (assistente de Martin Scorsese no filme “O Aviador”) sai a campo para tomar o pulso dos norte-americanos depois do 11 de setembro, entrevistando mais de pessoas entre Nova York e Los Angeles e compondo um fascinante caleidoscópio de opiniões e crenças.   

     Já em “Tirando o Capuz: Viagem ao Mundo da Tortura”, Patricio Henriquez analisa a possível instauração de uma nova barbárie, deflagrada por uma guerra internacional ao terrorismo pós-11 de setembro, que encontra respaldo na mesma América que no passado foi cúmplice dos torturadores na América Latina e África. 

     Co-produção França/Alemanha/Lituânia, “O Sistema Putin”, de Jean-Michel Carré, focaliza um dos líderes mundiais mais poderosos e centralizadores do mundo, o russo Vladimir Putin, que consolidou a imagem de um líder de ferro.  

     Em “Darfur Urgente”, o documentarista norte-americano Ted Braun levanta o véu sobre um genocídio silencioso sobre a região de Dafur: estima-se que, nos últimos quatro anos, 250 mil pessoas já morreram de fome e cerca de três milhões perderam suas casas ou terras.  

     A polonesa Maria Zmarz-Koczanowicz documenta o encontro regular promovido há 20 anos entre os imigrantes fugidos da fúria anti-semita desencadeada em 1968 contra milhares de cidadãos de origem judaica da Polônia em “A Estação de Trem de Gdanski”. 

     No início das década de 1960 uma inesperada abordagem da Segunda Guerra Mundial florescia clandestinamente nos “stalags”, livros de bolso que narravam histórias eróticas entre as oficiais da SS e os pilotos norte-americanos ou britânicos – este é o tema de “Stalags - Holocausto & Pornografia em Israel”, de Ari Libsker. 

     Em “Lakshmi e Eu”, uma co-produção Índia/EUA/Dinamarca/Finlândia, a cineasta Nishtha Jain rompe a barreira que normalmente separa patrões e empregados para realizar um filme sobre sua faxineira.  

     Antecipada em diversos filmes de ficção científica, a convivência entre robôs e seres humanos é uma realidade, como mostra “Amor Mecânico”, do dinamarquês Phie Ambo. 

     A produção francesa “Quem Matou Sérgio Vieira de Mello?”, de Amal Moghaizel, é uma biografia deste brasileiro funcionário da ONU por 34 anos, reconhe4cido mundialmente por seus grandes serviços à paz e morto por um carro-bomba, colocado diante de seu escritório em Bagdá, em 2003.  

     Produção do Canadá dirigida por Patrick Reed e selecionada para o Sundance Festival 2008, “O Dilema Humanitário de James Orbinski”, acompanha a volta à África do ex-dirigente da organização Médicos Sem Fronteiras, o médico James Orbinski. 

     “O Caça-Ditador”, de Klaartje Quirijns (Holanda/EUA), focaliza o trabalho de Reed Brody, advogado da organização Human Rights Watch, para quem caçar ditadores é tarefa em tempo integral. 

      No estúdio de um fotógrafo, diversos refugiados de origem palestina nascidos no Líbano são convidados a escolher o fundo de sua própria fotografia, tendo como opções cidades míticas, como Nova York, Beirute e Jerusalém – esta é a proposta da documentarista Nadine Naous em “Minha Palestina”, uma co-produção Líbano/França. 

      Em outubro de 2004, a cineasta palestina Sherine Salama gravou uma entrevista com o presidente palestino Yasser Arafat; um mês depois, ele morria em seu quartel-general, em Ramallah. O resultado está em “Os Últimos Dias de Yasser Arafat”, um epílogo da história de uma das figuras mais controversas de nossa época. 

      O maçambicano Licínio Azevedo focaliza em “Hóspedes da Noite” o desativado ,  Grande Hotel, que, de orgulho da arquitetura da cidade de Beira, transformou-se gradativamente numa ruína, onde hoje se amontoam precariamente cerca de 3.500 habitantes. 

      “Um Novo Olhar - Social Club Buena Vista”, co-produção Alemanha/Cuba, questiona um mito cinematográfico: o documentário “Buena Vista Social Club”, de Wim Wenders, que trouxe de volta à circulação os nomes de toda uma geração de veteranos músicos cubanos. O diretor Carsten Möller investiga se este lugar existiu realmente - ou seria apenas uma lenda urbana, uma ilusão de memória coletiva? 

      Filme alemão premiado nos festivais de Montreal, Lisboa e Leipzig, “A Música de Meu Pai”, de Igor Heitzmann, tem como protagonista o maestro Otmar Suitner, regente de algumas das maiores orquestras do mundo, como a Filarmônica de Berlim, que atravessava a vigiada fronteira entre as duas Alemanhas com freqüência espantosa - o maestro dividia-se secretamente entre duas vidas e duas famílias, uma de cada lado do Muro. 

     Cinco longas e médias-metragens inéditos foram escolhidos como representantes brasileiros na seção. “De Braços Abertos” (Bel Noronha), aborda verdades e mitos em torno da construção do Cristo Redentor, eleito no ano passado como uma das dez novas maravilhas do planeta.  

     Luciana Burlamaqui registra sete anos de encontros e desencontros de uma atriz tornada voluntária social e uma dupla de rappers de sucesso formada por detentos do Carandiru em “Entre a Luz e A Sombra”. 

     A dupla Henri Gervaiseau e Cláudia Mesquita mergulha no bairro paulistano de Cidade Tiradentes, para além dos estigmas de desamparo e violência, em “Moro na Tiradentes”.  

     O cineasta Flavio Frederico (vencedor do É Tudo Verdade 2006 com “Caparão”) realiza em ”Quilombo: Do Campo Grande ao Martins” o terceiro episódio da trilogia em torno da Serra da Mantiqueira.  

     Ativo no curta-metragem paulista dos anos 1980, Bhig Villas-Boas focaliza em “O Último Kuarup Branco” as memórias, lendas e histórias indígenas sobre o estabelecimento criado por Orlando e Cláudio Villas-Boas do Parque Nacional do Xingu, em 1961.  

     O curta-metragem inédito O Sonho de Tilden, de Moara Passoni, completa a seleção de O Estado das Coisas. A partir de um encontro em Cuba, o cineasta Fernando Birri e o diplomata brasileiro Tilden Santiago partem para o Vaticano visando entregar uma carta ao papa Bento 16.  

*** Foco Latino-Americano *** 

     Estão representados na seção trabalhos do Argentina, Colômbia, México, Paraguai, Perú e Uruguai, além de uma co-produção entre o Chile e os Estados Unidos.  

     “O Círculo”, da dupla uruguaia José Pedro Charlo e Aldo Garay, trata das duas vidas de Henry Engler Golovchenko: a primeira delas no Uruguai, onde dedicou sua juventude à militância no grupo guerrilheiro Tupamaro; a outra na Suécia, onde transformou-se num neurologista de fama internacional, especializado em pesquisas sobre o mal de Alzheimer.  

     Premiado no Festival de Mar del Plata, o paraguaio “Terra Vermelha”, de Ramiro Gómez, retrata com total despojamento e em tempo real as pequenas e grandes batalhas  de quatro famílias camponesas que desenvolvem as tarefas comuns de seu cotidiano.  

     Produção mexicana selecionada para o Sundance Festival, “Bajo Juarez”, de Alejandra Sánchez Orozco e José Antonio Cordero, aborda o trágico destino de cerca de 500 mulheres que, desde 1993, foram brutalizadas e assassinadas em Ciudad Juárez, México.  

     A volta ao Chile 30 anos depois de ter sido preso e torturado pelo regime militar do músico Héctor Salgado, munido de uma câmera na mão e confrontando pessoalmente seus antigos captores, é o tema de “Circunstâncias Especiais”, co-produção Estados Unidos / Chile dirigida pela documentarista Marianne Teleki. 

     O documentário peruano “No País Dos Saxofones”, de Sonia Goldenberg, traz a inesperada releitura nas orquestras de saxofones do centro do Peru, que desfiam seus ritmos de acento inca com sonoridades peculiares.  

     As verdades e mentiras que cercam a vida do artista Pedro Manrique Figueroa, tido como precursor da colagem da Colômbia e desaparecidodesde 1981, estão no centro de “Tigre De Papel”, de Luis Ospina. 

     “A Construção de Uma Cidade”, do argentino Nestor Frenkel, relata o forçado deslocamento, para instalação de uma represa, de todos os moradores da cidade de Federación, com posterior decadência econômica e redução populacional. O tema tem paralelo com o longa “Sumidouro” (de Cris Azzi), que participa da competição brasileira do festival. 
 

*** Horizonte *** 

     Dedicada a obras de perfil experimental, a seção Horizonte destaca sete obras, entre elas “Das Ruínas a Rexistência”, o mais recente trabalho de Carlos Adriano, um dos curadores da Retrospectiva do Documentário Experimental Brasileiro. Trata-se de uma montagem poética de dois filmes realizados nos anos 1960 pelo poeta e pensador Décio Pignatari e que permaneceram inacabados. 

     O finlandês “Viagem”, de Anastasia Lapsui e Markku Lehmuskallio, que retrata os Nenets, moradores das tundras siberianas, em diferentes fases de sua vida, documentando seu comportamento em situações desde o nascimento até a morte.  

     Em “Miss Universo 1929 - Lisl Goldarbeiter, Uma Rainha em Viena” (Peter Forgacs, Áustria/Holanda), Lisl Goldarbeiter -  a primeira e única Miss Universo austríaca, eleita em 1929 - é retratada pelo olhar amoroso de Marci Tenczer, seu primo e segundo marido, que a filmou obsessivamente desde a adolescência.  

     A menor partícula formadora de matéria é também o mais elementar assunto sobre o qual fazer um filme – a prova está em “Poeira”, co-produção Alemanha/Suíça dirigida por Hartmut Bitomsky. 

     Em “Cenas da Caça ao Javali” (Bélgica/França), o cineasta Cláudio Pazienza monta, em clima de ensaio poético, os vários estágios a cerimônia de adeus ao seu pai, figura constante em seus filmes anteriores, morto recentemente. A obra mereceu prêmio especial do júri no festival Visions du Réel (Suíça). 

     Filmado entre 1999 e 2001, “Além dos Trilhos”, do chinês Wang Bing, registra em detalhes a dramática transição da China de uma economia estatal, centralizada há cinco décadas, para um sistema de economia de mercado. O diretor Wang Bing participa também da Competição Internacional, com o filme “Fengming - Memórias de uma Chinesa”. 

     O documentário húngaro “Filme-Diário - Eu Tinha 12 Anos em 1956”, de Boglárka Edvy e Sándor Silló, tem como destaque as ilustrações de um diário feito em 1956 por um garoto que registra uma revolução popular na ruas de Budapeste, que aliadas a um rico material de arquivo reproduzem a atmosfera da revolução sufocada na Hungria. 
 
 
 
 
 
 
 

*** Retrospectiva Internacional: 10 Documentários Que Mudaram o Mundo *** 

     A retrospectiva internacional deste ano apresenta o ciclo 10 Documentários que Mudaram o Mundo, realizada em Londres em  outubro de 2007 pelo British Film Institute com curadoria do crítico Mark Cousins, conceituado crítico de cinema e realizador, autor de livros como "The Story of Film", “Scene by Scene” e “Imagining Reality” (este em co-autoria com Kevin MacDonald) além de colaborador de publicações como Sight and Sound, Prospect e The Times.  

     O curador afirma em texto publicado no catálogo do festival: “Defendo veementemente a idéia há anos e já argumentei em várias ocasiões que a maneira como o mundo – alheio à essa questão primordial – responde ao documentário é, na maioria das vezes, pela forma. Ainda assim, para a curadoria da seção 10 Documentários Que Mudaram o Mundo, dei uma guinada de 180º. Coloquei de lado as questões estéticas e me concentrei numa pergunta secundária e empírica: quais filmes comprovadamente tiveram um impacto social, legislativo e político na época em que foram lançados? Durante a seleção, deixei-me levar pela indefinição do que é um filme e incluí até filmes para TV, mas tomei a decisão de não cometer o pecado da maioria dos programadores de documentários para festivais: o anglocentrismo.” 
 

     “Se estes cineastas buscaram mudar o mundo ou o fizeram de forma não intencional, a diversidade formal desta seleção para o É Tudo Verdade mostra que o documentário é menos um gênero (subproduto) do cinema, do que algo como uma megalópole cinematográfica, onde vários gêneros e linguagens do filme convivem e interagem”, completa Cousins.  

     Vencedor do Oscar e premiado em Cannes, “Tiros em Columbine” (EUA/Canadá/Alemanha, 2002), do polêmico Michael Moore, examina das raízes da violência nos EUA tendo como ponto de partida o massacre de 12 alunos e um professor por dois estudantes, em 1999.  

     A produção inglesa “Morte de uma Nação: A Conspiração Timorense” (1994), de David Munro e John Pilger, vencedora do prêmio do público no Festival de Amsterdã, exibe um sólido levantamento que revela não só um massacre de populações civis ocorrido no Timor Leste em 1991, como permite comprovar a criminosa cumplicidade de governos ocidentais. 

     Também da Inglaterra, “Mcdifamação” (2005), de Franny Armstrong, influenciou a decisão da Corte Européia de Direitos Humanos em favor de dois ativistas, anteriormente derrotados num processo movido pela rede McDonald’s por causa de um panfleto crítico à companhia escrito por eles. Esta nova versão contém reencenação das sessões de tribunal. 

     “A Tênue Linha da Morte” (EUA/Inglaterra, 1988) mostra a persistência do diretor Errol Morris em esclarecer as circunstâncias do crime de assassinato de um policial em Dallas, pelo qual Randall Dale Adams havia sido condenado à morte, em 1977. A exposição pública de um dos mais evidentes erros judiciários da história dos EUA acabou salvando a vida de Adams.  

     Peça central da propaganda nazista e um dos grandes clássicos do cinema mundial, “O Triunfo da Vontade” (Alemanha, 1936), de Leni Riefenstahl, retrata a convenção anual do Partido Nacional-Socialista em Nuremberg, em 1934, com imagens que teriam poder hipnótico para dominar corações e mentes do povo alemão no apoio ao regime. 

     Devastadora crônica indicada ao Oscar de melhor documentário, “A Dor e A Piedade” (Alemanha/Suíça, 1970), de Marcel Ophüls, reúne as provas de que a resistência dos franceses aos invasores alemães durante a Segunda Guerra Mundial era a exceção, não a regra, demolindo a crença de grande parte do povo francês 

     “Em Nome da Liberdade” (Irã, 1980), Hussein Torabi  mostra os últimos dias da ditadura pró-ocidental do Xá Reza Pahlevi e é reapresentado anualmente na TV iraniana, num esforço de reafirmar a permanência da doutrina da teocracia islâmica implantada em 1979. 

     “BBC - Relatório Etiópia” (Inglaterra, 1984), de Michael Buerk e Mohammed Amin, reúne a cobertura feita pela emissora da seca na Etiópia, que em 1984 levava à migração em massa de populações que literalmente morriam de fome ao longo do caminho. Sua repercussão gerou o concerto de rock Live Aid. 

     A catástrofe da baía de Minamata, no Japão, onde por mais de 20 anos foram despejados grandes quantidades de mercúrio que provocaram doenças e deformidades genéticas, é o tema de “Minamata: A Vitória das Vítimas” (Japão, 1971), de Tsuchimoto Noriaki. 

     O golpe de Estado, que em 11 de abril de 2002 depôs brevemente o presidente da Venezuela Hugo Chávez, filmado no calor da hora está no centro de “A Revolução Não Vai Passar Na TV” (2003), produção Irlandesa dirigida por Kim Bartley e Donnacha O’Briain. 

     A retrospectiva internacional 10 Documentários que Mudaram o Mundo conta com apoio do British Film Institute, British Council, Instituto Goethe e Videofilmes. 
 

*** Retrospectiva do Documentário Experimental Brasileiro*** 

     A experimentação dá o tom da retrospectiva brasileira, que reúne 23 títulos produzidos entre 1929 e 2007 que foram escolhidos pelos curadores Amir Labaki, Carlos Adriano e Bernardo Vorobow, a privilegia a experimentação.  

     A retrospectiva que o É Tudo Verdade apresenta neste ano, em parceria com a Associação Cultural Babushka, propõe um mapeamento pioneiro, um fragmento que não esgota a prospecção e flagra um continente ainda a ser explorado e até demarcado: os documentários experimentais feitos no Brasil".  

 Premiado nos festivais de Havana e Oberhausen (onde foi eleito para a mostra ‘Os Melhores Filmes em 40 anos’), “Chapeleiros” (1983), de Adrian Cooper, aborda sem uso da palavra o conflito entre tradição e modernidade, a partir de uma fábrica de chapéus do início do século 20.  

     Em “Céu Sobre Água” (1978) as águas da praia de Arembepe, uma mulher grávida e uma criança integram-se no espaço da natureza delineado neste ensaio visual do também escritor José Agrippino de Paula (1937-2007), autor de “PanAmérica”, livro ícone da Tropicália. 

     Utilizando diferentes texturas e enquadramentos “Dormente” (2005), de Joel Pizzini, procura captar a sensação de passagem e deslocamento a partir do cenários de estações e linhas de trem e metrô. 

     Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander utilizam uma bolha de sabão para realizar uma metáfora sobre a natureza e a permanência das coisas em “Sopro”, (2004), obra que faz parte do acervo permanente do Museu Guggenheim, de Nova York. 

     Através de fotos estáticas, sem diálogos ou ruídos, “Juvenília” (1994), Paulo Sacramento, acompanha um ritual de crueldade de um grupo de jovens, sendo vencedor do Festival Henri Langlois (França) e eleito melhor curta no Riminicinema. 

     O texto da famosa carta do escrivão Pero Vaz Caminha fornece uma espécie de guia para a “impossibilidade” de um documentário sobre o descobrimento do Brasil em “Vera Cruz” (2000), da artista visual Rosangela Rennó, trabalho premiado como melhor vídeo no Festival Videobrasil.  

     O maior complexo portuário da América Latina é retratado em “O Porto de Santos” (1978), de Aloysio Raulino, através de seus doqueiros, marinheiros e prostitutas, e também dos navios, sons e cores que constituem sua paisagem.  

     Arthur Omar comparece com dois filmes. “Congo” (1972) utiliza letreiros, fotos, páginas de livros que remetem a comentários de Arthur Ramos, Câmara Cascudo e Mário de Andrade, num olhar crítico sobre a tentativa de um saber organizado. Já o longa-metragem “Triste Trópico” (1974) relata a inusitada trajetória do Doutor Arthur, médico que estudou na Europa e volta ao Brasil, tornando-se uma espécie de líder messiânico. 

     Em “O Fim da Viagem” (1986), de Carlos Nader e Victor Civita, a rotina de um caminhoneiro, que transporta porcos, expõe as sutis relações entre a aparente banalidade cotidiana e questões fundamentais de toda existência. Nader também participa da competição brasileira, com “Pan-Cinema Permanente”. 

     O mestre Humberto Mauro (1897-1983) utiliza em “A Velha a Fiar” (1960) uma canção folclórica do interior do Brasil como guia um jogo de imagens e palavras em montagem rápida nesta obra precursora do videoclipe. 

     Os cineastas Paulo Rufino e Ana Carolina utilizaram  “Lavra-Dor” (1968) trechos do poema “Lavrador”, de Mário Chamie para uma narrativa poética sobre sindicalismo rural no estado de São Paulo após o golpe militar de 1964. 

     João Moreira Salles evoca, em “Poesia é Uma ou Duas Linhas e Por Trás Uma Imensa Paisagem” (1990), a poeta Ana Cristina César (1952-1983) a partir de fragmentos de seus textos e de alguns de seus autores preferidos, como Baudelaire, Sylvia Plath e T.S. Eliot. 

     Diante de uma câmera dentro de uma cabine, no Rio de Janeiro, Paris, Tóquio, Dacar, Moscou e Nova York, pessoas deixam registrados seus segredos, receitas e aflições em  “Parabolic People”, realizado por Sandra Kogut em 1991. 

     O recente  “Le Hasard” (2007), constitui-se numa sutil e irônica ilustração da arte de construção do registro realizada por de Antonio Dias, um dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira. 

     Um dos mais importantes teóricos do cinema brasileira Jean-Claude Bernardet cria em “São Paulo, Sinfonia e Cacofonia” (1994), cria-se um documento de identidade para a ambigüidade visceral da metrópole a partir de trechos de filmes de várias épocas, que têm São Paulo como cenário. 

     “Semi-Ótica” (1973), de Antonio Manuel, mostra o realizador – também reputado artista plástico – em poucos planos rígidos, cortes evidentes e dessincronia entre som e imagem define uma abordagem do espaço marginal. 

     Em “Cinema Inocente” (1980), seu diretor Júlio Bressane entrevista Radar, montador de mais de 150 pornochanchadas, numa discussão sobre o olhar e os preconceitos no cinema. 
 
 

     Insatisfeitos com a área de sua reserva, os índois Canela Apâniekra interrompem o processo de demarcação. E através do filme  “Conversas no Maranhão” (1977), de Andrea Tonacci, formulam novas reivindicações ao governo federal. 

     Em “Dr. Dyonélio” (1976), vida e obra do escritor e jornalista gaúcho Dyonélio Machado passam pelo crivo irreverente de Ivan Cardoso, resultando num mosaico de seus livros e influências. 

     “São Paulo, A Sinfonia da Metrópole” (1929), de Adalberto Kemeny e Rodolpho Rex Lustig, capta o momento de transição da pequena e provinciana São Paulo no rumo de tornar-se um grande pólo industrial e financeiro.  

     Premiado no Festival de Brasília e pela APCA,“Tudo é Brasil” (1997), de Rogério Sganzerla, traz cenas inéditas e bastidores do

Fonte: Mateus Fornazari